quarta-feira, 13 de abril de 2011

So let me help you remember


Outra vez comecei com o silêncio. Enquanto traçava passos na rua consegui formular parâmetros que explicassem o meu contexto. Realizei após uma breve intervenção de assuntos, como eu estava pra dentro de mim, mais do que esperava. Além de vozes e braços, que as vezes se faziam desejados nos sentimentos, o preferido agora era o outro lado. O lado vazio, sem nada.
Curiosa essa fase, eu pensei comigo. Por tantos anos que já foram embora, palavras tortas e sonhos pesados me traziam de volta antes do confronto. Olhava ao redor misteriosa, como quem busca um detalhe jogado na confusão. Encontrei uma beleza pura de alma branca que se conectou em alta energia e trouxe turbulência pra raiz.
Que faz você com todo esse desânimo, criança. Sempre que olha pro horizonte se vê. Passou da hora de você chegar lá, mas dessa vez o destino é você.

terça-feira, 29 de março de 2011

Névoa


"Era domingo. Se fumasse, acenderia agora um cigarro para ficar com ar de pessoa distraída. Mas assim tão sem vícios e portanto sem ter sobre o que derramar a distração que desejava, ai - assim ficava tão solta. Perdi até o sono, suspirou, como se o sono fosse a sua última reserva de segurança. E estou com preguiça de trabalhar e tenho vontade de falar uma palavrão, que merda também."
CF

domingo, 27 de março de 2011

Mais

Mais uma vez. Mais uma vez. Mais uma vez.
Essa foi a frase que eu repeti dentro de mim incontáveis vezes. Me percorria um arrepio frio, uma dor no estômago, uma vista nublada.
Nublado na verdade estavam meus pensamentos. Pensamentos não, estes eram quase transparentes em toda sua verdade. Venho conversando muito comigo mesma, em silêncio. Me escuto o dia inteiro e vezenquando concluo coisas certas.
O que estava fora da linha eram os sentimentos. Eu sei, não é a primeira e talvez nem seja a última vez que isso vá acontecer. De qualquer forma, eu termino nas palavras para não terminar nas lágrimas. As vezes nas duas. As vezes sozinha mesmo.
Eu gritava um canto quieto. Melodia dramática cheia de romantismo. Ouvia no rádio, lembrava de você. O que eu tava tentando fazer era entender. Saber qual era a magia negra que existia aqui pra me manter assim, dispersa. Dispersa do mundo. Porque disso eu não me desligava.
E quando digo sentimento, talvez esteja errada. Porque eu sabia do sentimento. Eu entendia a sua mudança, eu aceitava, eu sentia ele. Mas não era possível! Até quando esse "mais uma vez" vai falar no meu ouvido?
Eu aguento. E as vezes, eu mesma falo pra mim. Sabe, coisa automática. Você, tão acostumada... já sabe o que tem que fazer. E era aí que meu racional estava estagnado.
Se você enxerga isso como pode continuar andando nessa estrada cheia de buracos com curvas tortuosas e alagada por uma tempestade?
Era tão mais bonito quando o sol estava lá. E ele já esteve por tanto tempo.
Eu pedia a mim mesma que controlasse essa loucura, não aguentava mais a boca seca.
Como se houvesse um espelho, e meu problema fosse na verdade com ele.
Aceita, oras! As coisas terminam. E sabe, não terminou. Não assim, como a morte.
É coisa que tem jeito, tem cheiro, tem vida. E o que você quer, é a felicidade.
Cogitei tratamentos de choque. Ou desses que todos se submetem por estarem tristes ou com o coração partido. Talvez, a maluca mesmo seja eu.
Por todo tempo essa certeza eu mantive.
Agora cultivo outras certezas também. Preciso deixar de acreditar tanto. É, mesmo quando não existe mentira, as verdades também machucam.
Parar de sentir tudo tão forte. Construir aquelas cercas de que tantas músicas e poemas falam, em volta do coração, da cabeça, de qualquer romance.
A gente aprende com o tempo, eu sei. Já ouvi isso, e acredito sim.
Acredito porque eu aprendi. Mas ficou difícil de um jeito que nunca foi. E meu medo é ainda ter que descobrir outra dor, vinda ela de qualquer lugar, outro amor.
Fico me martirizando com você. Comigo.
Olho pro céu e lembro que a estrela me disse umas coisas. Espero esse tempo com a mesma ansiedade que a criança espera o presente. A liberdade que sempre foi sua, vai chegar pra mim.
Nunca quis que cicatrizes evitassem outros tombos. Sempre achei que uma coisa não justifica a ausência da outra. Mas agora, talvez essa seja uma nova certeza pra mim.
Amor, amor, amor. Demais.
Mais uma vez.

domingo, 20 de março de 2011

Vocês sou eu também

Vou começar por onde tudo começou. Uma perda. Um sofrimento chegou e tomou conta dela. Ela não era a pessoa mais forte nem a mais certa, mas era sem dúvida a mais bonita. Aos poucos ela foi se entregando a dor que sentia, e não conseguiu mais acordar na hora, nem lembrar de fazer compras. Aquele limbo foi virando a realidade, e a fase virou algo constante. O constante virou uma doença.
Do outro lado, um homem capaz, guerreiro, auto confiante e sonhador. Com toda sua juba em desfiles monumentais esperava do mundo um reconhecimento da mesma forma que esperava uma piscada do espelho. Como um bom leão, não possuía apenas a vaidade mas também uma humildade e um carinho sem tamanho. Durão de dar medo, com seus gritos e imposições, julgava ser o dono da verdade. Por vezes era. Outras, nem tanto.
O que houve foi que o caminho dessas duas criaturas era cruzado em um ponto místico. Colocava em prática a teoria de atração dos opostos e fazia qualquer casal sentir um pingo de ciúmes da bela história que concluíam juntos, aos poucos.
Eu sempre acreditei em final feliz. Coisas cliché que se aprende vendo romances e lendo livros adolescentes. E eles alcançaram o felizes, mas ainda não tinham chegado ao final.
Com todo aquele sofrimento, desencadeou uma crise permanente de rejeições, brigas e desentendimentos. Por vezes achei que fosse falta de amor. Por outras, julguei falta de compreensão. E até hoje, não sei dizer ao certo o que houve.
Olhando para trás, encontrei alguns detalhes cruciais. Coisas relacionadas a sentimentos, aqueles bem intensos, e à decepções e chateações ligadas a expectativas frustradas.
Coisa complicada. Parecia uma teia, quando achava que o fio chegara ao fim, começava um outro.
De tanta informação, aquele leão bravo quase se deu por vencido uma vez. Ficara desequilibrado. Perdido. Sem ter direção, como nunca tinha acontecido antes.
A menina, bela e delicada em sua ousadia e esperteza, havia se entregado aos desgastes da vida, como uma maçã que apodrece ao pé. Uma história de beleza de repente virou uma tragédia.
Eu pensava que tudo um dia se resolveria. Por mais estagnados que fiquemos, o destino e o tempo nunca são mesmo a favor dessa inércia. Existe sempre algum fato pra corromper as situações frágeis. E o que eu fazia agora, era esperar por ela.
Eu ouvia tantas coisas, dos dois. E quando parava pra pensar em como eu ainda estava ali, como terceiro elemento sobrevivendo e lutando ao lado dos dois, sendo fonte de coragem e causa de segurança, as vezes nem acreditava.
Não acreditava como tudo chegara a esse ponto crítico. Não conseguia achar uma pessoa só, nem um motivo. Nada vinha à minha cabeça rotulada com culpa. Foram tantas coisas, tantos medos, tantas palavras engasgadas nos anos perdidos.
Tanta felicidade jogada fora e agora tantas flores mortas no jardim.
Pedia calma. Rezava. As vezes tudo fugia do controle. O mundo inteiro não parecia ser suficiente nem interessante mediante a dor e as lágrimas geradas pelo caos.
Força. Fé. Felicidade.
Eram coisas que eu tinha, sem saber por que, nem de onde elas vinham.
Mantinha tudo de bom por perto. Pedia que eles enxergassem um pouco com meus olhos de criança sonhadora, e que sonhassem um pouco mais.
Não se deixem levar pela tristeza, eu pedia.
Nada dura pra sempre. Nem eu, nem vocês. Então me dá a mão, faz isso acabar e volta pra mim. Queria que você soubesse tanta coisa. Pensei em escrever cartas aos dois, dizendo tudo que me passava pela cabeça nas madrugadas que não tive sono, e nas aulas que não prestei atenção pois era tomada pela insegurança.
Mas nunca escrevi.
Tudo é um aprendizado. Tudo não é por acaso.
Acredita. Vai ficar tudo bem.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Lua e Estrela

Era de se esperar que ela soubesse. Soubesse o caminho, o jeito, o cheiro. E principalmente o sentimento. Tão grande, tão bonita. Grande no coração, bonita na alma.
Mas ela não sabia. Não acreditava, talvez. Preenchida de sonhos e exaltações, aceitava o talvez como quem aceita a chuva. Como se não houvesse meios de mudar tudo aquilo que guardava dentro de si.
Tolice, eu dizia. Mas essa é mais uma das coisas que só enxergamos quando chega a hora certa. E eu já sabia disso. E sabia também que ela ia chegar lá. E torcia. Torcia como ninguém mais imaginava, como ninguém mais o fazia.
Eu queria ela pra mim. Queria.
Não sei se pela fragilidade. Pelo cuidado. Sei que sim, pelo cheiro.
Nenhum outro cheiro era tão doce quanto aquele.
Se fez malicioso, delicado, dormente.
Dia sim dia não, fizesse muito ou pouco tempo, eu sempre sentia saudade.
Ela não acreditava nisso também. Era assim, tão maleável quanto as ondas, e tão dura quanto o chão. Parecia que evitava. Ela queria não acreditar. E em suas falhas, se entregava.
A porta abriu. Voa, amor. Você sabe pra onde deve ir. Deixa o medo, quantas vezes te disse, eu tô aqui. Estica a mão, me prende e não deixa mais ir. Não vai. Só vem.
Vem.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Carta


Hoje recebi uma visita. A insônia apareceu como que sem motivo. Tive uma noite agradável, troquei palavras com ombros amigos e me senti um pouco mais completa. É, que como você sabe depois da separação eu tenho buscado isso. Me sentir inteira novamente, regenerar o pedaço morto que ficou pra trás. Um pouco exagerado falar assim, sei que você sempre fala pra eu não ver dessa forma que tudo vale a pena. De fato valeu. Mas você também me conhece e sabe que eu preciso de pouco tempo pra me remontar e correr pra outro abraço. Se é ponto final que eles chamam, é por um bom motivo.
Então depois dessa noite eu resolvi te escrever. É que foram conversas tranquilas as da noite, e pensei em você. Adoraria estar lá para dar palpites e conselhos sobre as filosofias de vida e romances bobos que tiram o nosso sono.
Não sei se já falei isso vezes o suficiente, mas sabe que me conforta um bocado a certeza de você? É. Essa coisa toda de eu te escrever e saber que você tá me lendo, assim, com toda delicadeza da vírgula e a ênfase do parágrafo.
Explorar as coisas foi uma coisa que você me ensinou. Ir até o fundo e não sossegar enquanto não conseguir. Pois é. Acho que isso eu aprendi tão bem, que agora nada que é pouco ou parece superficial me satisfaz. Culpa sua.
Nessas últimas noites eu tenho ido dormir meio calma. Até hoje. Isso tava faltando, lembro bem de você avisando isso. Como a falta de calma poderia me deixar desequilibrada. E não é que deixou?
Enquanto eu tava na rua nessa noite entrei em uma livraria. Vi tantas palavras. Senti texturas e vi rostos diferentes que buscam a mesma direção.
Nessa noite de fumaça e muito matte, porque eu ainda sou viciada em matte como você lembra, eu aprendi tanta coisa. Concretizei sentimentos que estavam quase certos mas não maduros ainda para serem desamparados pela insegurança.
É sempre bom quando você tem alguém pra ouvir. Alguém pra falar. Dividir essas coisas bobas da vida, como livros favoritos, últimos atos ou até física quântica.
E eu tenho, tenho você. E sempre que penso nisso vem uma onda de calor. Calor quente, morno, tranquilo. Mas já falei de tranquilidade hoje.
Amanhã eu te escrevo de novo.
Porque tem coisas que eu pensei hoje mas acho que ainda não estou preparada pra falar.
Passei em lugares que me fizeram lembrar. E deu uma saudade.
Já era pr'eu ter aprendido, eu sei. Imagino agora você fazendo aquela cara sua com os olhos virados pra cima. Mas não quero. Não quero endurecer e parar de acreditar.
Isso vocâ também me ensinou, lembra?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Vista Cansada


Linhas paralelas. Uma correndo ao lado da outra querendo chegar onde não se vê. A vida absorvendo todo dia um pouco além do que consegue suportar. Até onde pode, entrega.
Idas e vindas driblando o destino de forma ríspida e singular.
Uma escuridão perdida que toma conta quando estamos sozinhos.
Sente medo?
A solidão derruba a porta quando não se espera. Invade, provoca e ameaça.
As pessoas são assim.
Solitárias, você quer dizer?
Não, medrosas.
A cada vírgula de mudança elas se deparam com a falta de reação. Tão mais fácil não levantar da cama. Não encarar o mundo, o sentimento, a derrota, a perda.
Ficar inerte em um estado constante de segurança, onde você pode ser ou pensar o que quiser. A única pessoa que vai saber disso tudo é você, mais ninguém.
Até quando?
Por que você pensa, ou eles dizem, que é mais seguro isso tudo? Um esconderijo padrão que a sociedade inventou para calar os medos escandalosos que seguem um sentimento calado, uma boca rachada e uma vista embaçada.
Quantas vezes eu tenho que te tirar desse buraco?
Sorte, que nada. O espelho tá quebrado mas você ainda pode se ver.
Larga essas pessoas. Esquece essa mania de ter que ter. Você nao tem que ter nada. Precisa só de você. E do espelho, pra te lembrar isso vezenquando.
Quanta energia depositada em tanta perda de tempo. Coisas prestes a serem alcançadas e concretizadas deixadas de lado por uma falha química que atinge todos nós.
O controle está no peito, no cérebro, no olhar. Na alma.
Vem de dentro. Tem que ser seu. Só seu.
Pode sempre quem quer.
Quem quer sempre pode.
E você, quer o que?