quarta-feira, 12 de maio de 2010

Eco do Silêncio


Eu não costumava escrever assim. Sentada, em algum lugar que não fosse à minha cadeira. Mas o agora abriu a cabeça, e ultimamente tem saído bastante coisa de lá. São certas inspirações que por meio de estímulo ou de contrário me dominaram. Eu estou entregue a esse momento, sendo criativa, vivida, infantil. O dom das palavras me parece tão mais ameno, mais gentil. E aí eu me entrego e coloco devaneios e vontades por escrito, através desse branco fosco que me cega e desse borrão vermelho que insiste em gritar. Talvez possa confessar alguma coisa que seja mais interessante do que toda essa complexidade narcisa. De uns tempos pra cá, com tudo e com todos, com as fases, as viagens, as descobertas, eu me perdi. Mas não fiquei sem rumo. Foi uma perca boa. Eu me perdi de mim, mas só em alguns aspectos. Aqueles chatos que eram responsáveis por me fazerem planejar tudo e aspirar meu lado triplo virginiano. Onde tudo deve ser estrategicamente montado, com data e hora estabelecida. Eu me deixei pra trás com aquelas partes que não fazem mais parte do todo. Me reinventei. É, passei a borracha, escrevi de novo. Eu tive medo de não dar certo. Minha compulsividade pela certeza sempre foi majoritária. Mas de algum modo eu consegui me desfazer dessa força que me sugou por tempo demais. Aprendi a amar o incerto, a não planejar tudo e a deixar a maré me acordar como quisesse. Abracei a vontade de vida, o brilho do sol e dos olhos que cruzaram minhas noites. Joguei a preocupação pra longe, e agora longe de mim fiquei eu. Desse jeito básico e transparente, sem deixar minha complexidade de lado, sentindo tudo que espero, e mais ainda o que descubro novo sem prever nada. Então eu saio por aí, tentando entender as diferenças, o tempo, os sentidos. Através do espelho eu me guio querendo ser amanhã o que ainda não fui hoje. E aí, eu descubro quando chegar lá.

terça-feira, 11 de maio de 2010

De se entregar e sentir.

É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.

domingo, 9 de maio de 2010

Do Lado de Dentro


Talvez não conseguisse expressar tudo que queria. Era uma nuvem turbulenta e não era fácil colocar aquilo a entendimento racional. Não esperava ser compreendida nem sequer admirada. Queria estar sempre perto, sempre disponível, e nisso possuía seu sucesso. Era mais complicado se expor apesar de sua transparência. Tanta auto crítica era consumida em pensamentos diários e nem assim conseguia descansar. Levava sempre consigo tudo que era dela, assim mesmo, sem disfarce. O personagem que escolhia quando levantava da cama era o que iria com ela até o fim. Até o fim do dia, provavelmente. Sua inconstância era tão perceptível, assim como seu sorriso, seu mistério, sua lágrima. Olha lá dentro, olha no fundo. Pode se perder, sem ter por que, sem ter razão. E assim, segue adiante. Como não entende de ser valente, as vezes fica por um fio no mundo hostil. O jeito sem defeito era pura pretensão. Olha ali o sorriso, se exibe pra solidão com toda sua indecisão. Mas não solta, não vai embora. Briga, grita, tudo assim, no exagero. Mas aos poucos, aprende a controlar todo aquele domínio que por vezes tirou da estrada todo o resto. Todo aquele mar sem fim. Mas no final, assim calado, podia ser coroado o rei. Daquele mundo paralelo, daquela loucura a flor da pele, daquela complexidade latente, daquela calma que vinha com o tempo. Não tem mistério não, é só o coração. Espera, que eu não terminei.

Brotherhood

Foi tanta coisa dentro do nada. Aquele tempo todo que sempre sumia havia sido preenchido por uma correnteza diagonal que fazia seu rumo em uma direção perdida. Nada diferente, tanta mudança. Aquele dia teve falecimento, aviso prévio, ameaça, indiferença, surpresa, sorriso, esperança, agonia, beijo, toque, despedida, batata frita. Uma lista de variáveis que implicaram no resultado do final. O final que era o começo do depois. E que acabava logo que o amanhã começava, porque já era o depois do antes. Talvez você se lembre de mim. Com todas as confusões e risadas infantis, todos os sonhos e vontades adolescentes, impulsos e sabedorias. Era de certa forma impressionante como 24 horas podiam salvar pequenas descobertas, revelações, sensações. Aquele egocentrismo que não tinha tamanho, com o "EU" sendo a primeira palavra de cada frase sua me tirava do sério. Me preocupava. Cada minuto que precisou do meu ouvido e dos conselhos eles nunca falharam a te acompanhar. E tenta me assustar com chantagens baratas, jogando as cartas como quem sabe o que faz sem saber que você sabe tudo, menos do que tem que saber. Não enxerga? Ainda tem tanta coisa pela frente. Essa obsessão, compulsão, invenção. Isso só piora. Só cresce. Você não é capaz de se separar, de ser você de novo, sem isso. Virou um apoio, uma necessidade, quando era pra ser uma coisa boa, divertida, passageira. Eu tenho tanto medo de você. Um medo sem tamanho, principalmente de te perder. Não digo em termos físicos, porque esse na verdade você sabe que é o que menos importa pra gente. Digo em espírito, em alma, em outra dimensão. Esse peso de importância, fardo árduo que carregas sob papel que ganhaste quando entrou aqui, é tudo culpa dele. Talvez como nós já pensamos um dia, quando o coração fica a dez mil léguas submarinas isso não exista, e as coisas sejam mais fáceis. Mas não, a superfície é aqui, ela traz ventania, traz obstáculo, traz mistério. Mas encara, eu to aqui. Eu te seguro, te abraço, te levo comigo. Por que ter todo esse medo, toda essa insegurança quando na vida tudo que salva a loucura é o sentir. Que por ironia do destino, é muitas vezes o responsável por encaminhar a ela também. Mas a promessa que posso fazer, e o pedido que tenho aqui é que não vá embora. Que não se curve, batalha. Fica. Pensa. Sente. E acima de tudo, abaixa a cabeça, escuta. E aprende.

terça-feira, 4 de maio de 2010

All About (L)

Você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente.
E então, no fim destes dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços e você me beija e você me aperta e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem.
CF.

domingo, 2 de maio de 2010

As Horas

Eu perco o sono e choro, sei que quase desespero mas não sei por que. A noite é muito longa e eu sou capaz de certas coisas que eu não quis fazer. Será que alguma coisa nisso tudo faz sentido? A vida é sempre um risco, eu tenho medo. O mundo é muito injusto, eu to contando os meus problemas que eu quero esquecer. Será que existe alguém ou algum motivo importante que justifique a vida ou pelo menos esse instante? Eu vou contando as horas e fico ouvindo passos. Quem sabe o fim da história de mil e uma noites de suspense no meu quarto.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Talvez seja isso, e não o que você imaginou.

O despreparo foi automático. Enquanto eu mergulhava na vida sem grandes expectativas ele aconteceu. Foi em uma noite turbulenta, dessas que vira dia sem que a gente se dê por conta. E quando era o dia depois de amanhã ele me atropelou sem soar alarme nenhum. Que fique esclarecido aqui que isso não é uma reclamação. Aquela brisa de final de tarde trouxe consigo uma fórmula nova pra minha matemática. Era misteriosa, aventureira, guerreira. Tantos adjetivos unidos em uma coisa só. Quase inacreditável também. Passou tão pouco tempo, como podia chegar assim? Derrubando barreiras que eu tinha prometido pra mim que seriam sólidas o suficiente pra aguentar a pior ventania, a mais forte tempestade e evitar que eu me entregasse novamente. Era sempre a mesma coisa, isso não cansa? Fazer perguntas, pensar o tempo todo, se recriar em estruturas leves e bancar um sentimento invisível querendo ser o que não pode mais. O era uma vez desse conto tinha encontrado um cliché final diferente, e a superação era mais importante. Como depois de toda ressaca você quer ver o dia brilhar de novo, e ele brilhou. Mas foi ofuscante, foi forte demais, e o concreto virou pó. Aquilo tudo virou um grito seco preso na garganta que ficara travada depois da última noite que se fantasiou de dia. Sentia que podia falar e escrever o quanto fosse, nada sairia daquele jeito específico de sentir exatamente o que latejava lá dentro. Depois de horas do inesperado veio uma calma tranqüila que na contradição era feita de adrenalina. O pouco que fora desvendado do mistério era uma delícia que sentia nos lábios na ausência da fórmula. Ela tinha o início do problema, era só desenvolver o raciocínio. Mas, em meio à tudo aquilo, tudo que não conseguia seguir era a sua razão.