domingo, 27 de março de 2011

Mais

Mais uma vez. Mais uma vez. Mais uma vez.
Essa foi a frase que eu repeti dentro de mim incontáveis vezes. Me percorria um arrepio frio, uma dor no estômago, uma vista nublada.
Nublado na verdade estavam meus pensamentos. Pensamentos não, estes eram quase transparentes em toda sua verdade. Venho conversando muito comigo mesma, em silêncio. Me escuto o dia inteiro e vezenquando concluo coisas certas.
O que estava fora da linha eram os sentimentos. Eu sei, não é a primeira e talvez nem seja a última vez que isso vá acontecer. De qualquer forma, eu termino nas palavras para não terminar nas lágrimas. As vezes nas duas. As vezes sozinha mesmo.
Eu gritava um canto quieto. Melodia dramática cheia de romantismo. Ouvia no rádio, lembrava de você. O que eu tava tentando fazer era entender. Saber qual era a magia negra que existia aqui pra me manter assim, dispersa. Dispersa do mundo. Porque disso eu não me desligava.
E quando digo sentimento, talvez esteja errada. Porque eu sabia do sentimento. Eu entendia a sua mudança, eu aceitava, eu sentia ele. Mas não era possível! Até quando esse "mais uma vez" vai falar no meu ouvido?
Eu aguento. E as vezes, eu mesma falo pra mim. Sabe, coisa automática. Você, tão acostumada... já sabe o que tem que fazer. E era aí que meu racional estava estagnado.
Se você enxerga isso como pode continuar andando nessa estrada cheia de buracos com curvas tortuosas e alagada por uma tempestade?
Era tão mais bonito quando o sol estava lá. E ele já esteve por tanto tempo.
Eu pedia a mim mesma que controlasse essa loucura, não aguentava mais a boca seca.
Como se houvesse um espelho, e meu problema fosse na verdade com ele.
Aceita, oras! As coisas terminam. E sabe, não terminou. Não assim, como a morte.
É coisa que tem jeito, tem cheiro, tem vida. E o que você quer, é a felicidade.
Cogitei tratamentos de choque. Ou desses que todos se submetem por estarem tristes ou com o coração partido. Talvez, a maluca mesmo seja eu.
Por todo tempo essa certeza eu mantive.
Agora cultivo outras certezas também. Preciso deixar de acreditar tanto. É, mesmo quando não existe mentira, as verdades também machucam.
Parar de sentir tudo tão forte. Construir aquelas cercas de que tantas músicas e poemas falam, em volta do coração, da cabeça, de qualquer romance.
A gente aprende com o tempo, eu sei. Já ouvi isso, e acredito sim.
Acredito porque eu aprendi. Mas ficou difícil de um jeito que nunca foi. E meu medo é ainda ter que descobrir outra dor, vinda ela de qualquer lugar, outro amor.
Fico me martirizando com você. Comigo.
Olho pro céu e lembro que a estrela me disse umas coisas. Espero esse tempo com a mesma ansiedade que a criança espera o presente. A liberdade que sempre foi sua, vai chegar pra mim.
Nunca quis que cicatrizes evitassem outros tombos. Sempre achei que uma coisa não justifica a ausência da outra. Mas agora, talvez essa seja uma nova certeza pra mim.
Amor, amor, amor. Demais.
Mais uma vez.

2 comentários:

  1. Cuida de ti. Esse texto tá lindo.

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  2. CA RA LHO.

    Nem sei o que dizer.Mas sábias foram as palavras da Mariana aqui em cima, cuida de ti.

    Nada melhor do que cuidarmos de nós para que tudo isso passe.Por mais clichê que pareça; é dessa forma que é.

    Amor demais nunca é bom.Nada em excesso faz bem,sabe como é?Sal demais dá hipertensão,açucar demais dá diabetes,fritura demais da colesterol alto e amor demais?Amor demais traz sofrimento,angustia...dá não.Amor de mais só se for para nós mesmas.

    E assim a vida segue, um tombo,várias cicatrizes,ótimas memórias,gostos amargos e o medo de amar de novo e passar por tudo isso outra vez.

    Mas quando tem que ser,ignoramos tudo isso e entramos de cabeça novamente.Isso qdo a gente não ignora o amor que poderia ser só sol,que está ali,pra gente.Mas não,ele não nos chama atenção e nem nunca imaginamos que naquele pequeno local calmo pode estar um amor saudável; não um amor demais.

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