Faz tempo. Faz tanto tempo.
Nós cruzamos a linha de chegada há quase dois anos, e mal sabíamos que na verdade, aquela vitória era só o começo de uma incrível jornada.
Vezenquando você vira e me pergunta se eu "ainda" te amo, e se eu "ainda" tô feliz, ou até mesmo se eu "ainda" quero isso mesmo, a nossa vida juntas.
Eu vim te dizer que eu "ainda" penso em você da mesma forma, e que eu "ainda" escrevo pra você, e que todo meu amor "ainda" é pra você. E melhor do que isso, vim te dizer que "ainda" pra mim quer dizer pra sempre.
Eu reclamo quando você usa minha blusa e não coloca pra lavar, ou quando você tira o jeans e deixa ele do avesso e jogado em cima da cama, ou por que diabos você não joga o maço de cigarro vazio no lixo?!
Você reclama da minha ansiedade, pede pra eu ser mais tranquila, e eu só penso em pagar o cartão de crédito que vence na semana que vem.
"Ainda" somos bem diferentes em muitos aspectos. Mas quer saber, não poderia ser melhor.
"Ainda" acho que você é mesmo a minha laranja, o meu pônei, a minha marmota, o amor da minha vida.
"Ainda" quero ter um filho com você, com esse narizinho arrebitado lindo, e com esses olhões que vêem lá no fundo das pessoas.
"Ainda" quero viajar o mundo com você, e ir a feira todo sábado de manhã.
"Ainda" te acho a pessoa mais inteligente do mundo.
"Ainda" sinto saudade de você com algumas horas de distância.
E não, eu "ainda" não consigo imaginar a minha vida sem você do meu lado.
Então, é isso. Você pode perguntar pra mim se eu "ainda" te amo, todos os dias antes de dormir. Mas a resposta, você já sabe. "Ainda te amo, e pra sempre".
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Sobre o impacto da ausência
Havia marcado de almoçar com minha amiga hoje, e quando me dei conta já eram onze e meia. Peguei o celular e mandei uma mensagem, pra confirmar nosso encontro. Foi quando recebi uma resposta triste e inesperada. Ela estava no cemitério, velando uma amiga de anos, que não havia resistido à luta contra o câncer. Eu conhecia ela, já tínhamos nos encontrado em aniversários, festas, trocamos palavras, rimos, bebemos; "mais uma? mais uma!".
Ela não era minha amiga, se resumia a uma conhecida simpática. Mas existe alguma barreira quando o assunto é morte?
É claro que não estou aqui medindo sofrimento, ou dizendo que a dor é igual pra todo mundo. Longe disso. Mas não sei, todas as vezes que recebi uma notícia de perda, tivesse a distância que fosse, me perdi um pouquinho também.
O meu primeiro encontro com a morte foi quando eu tinha acabado de fazer dezoito anos. Tá, antes disso eu perdi animais de estimação, perdi a minha avó materna - mas eu era pequena, e ainda não tinha consciência do que era a dor da ausência. Não senti nada, não de verdade, não entendia o por que de estar chorando.
Tinham passado cinco dias do meu aniversário, era setembro, quase primavera. E foi então que eu perdi meu avô. Renato, o nome dele. Ele, prestes a completar oitenta anos, já estava internado com algumas complicações, e a última vez que eu o vi, ainda vivo, ele não me viu de volta. Tenho a cena gravada na memória, como se tivesse acontecido há poucos minutos. Aquela redoma azul claro, aquele cheiro de medo e uma saudade que começava a corroer o peito, e que eu sabia que ficaria ali por muito tempo, crescendo.
Acho que a gente sempre sabe quando vai perder alguém. Aquele alguém de todo dia, que faz parte da gente. Eu sabia. Eu sentia que, logo, ele não estaria mais por perto. E aquele dia chegara.
Em toda aquela cerimônia patética que se faz, onde você fica esperando as pessoas chegarem, lamentarem e falar "sinto muito" da boca pra fora, eu só conseguia sentir raiva. Você vai dizer "claro, normal.. você estava passando por um momento de luto, não estava aceitando a realidade". E pior, que nem foi isso.
Me deixou indignada e inquieta toda aquela gente chegando, conforme o sol ia se recolhendo, e dizendo "sinto muito"; "ele está descansando agora"; "vai ficar tudo bem".
Let me break it to you, nunca fica. Não essa dor, não a ausência. A gente cresce ouvindo que o tempo cura tudo. Mentira, o tempo não é remédio nenhum. O que acontece é que com o tempo, você muda o foco, e a atenção que antes você dava pro problema, se dissipa, mas ele não deixa de existir.
E foi o que eu fiz. É o que todo mundo faz. Você se acostuma a viver com aquele rombo no peito, com aquela insegurança constante, com aquele frio na barriga que faz congelar os olhos e escorrer as lágrimas. Você se acostuma, mas não cura nada.
Sempre que ela espreita, que você sabe que ela chegou pra alguém, você perde. São os anos passando e você seguindo, nessa grande ignorância que é a vida, sem sequer entender por que.
Por que tirar pessoas amadas, gerar sofrimento, e presentear com esse sequestro relâmpago as pessoas de nós? Tenho meu lado espírita, mas vá lá, a carne aqui também sangra.
Vivemos porque não temos escolha. Seguimos o caminho do amanhã indignados mas serenos, sofrendo um pouco a cada manhã, e rezando um pouco mais a noite. Pedimos compreensão e paciência, e nos perguntamos dia sim e dia também, qual a razão disso tudo.
E esse foi apenas o meu primeiro encontro com ela.
Ela não era minha amiga, se resumia a uma conhecida simpática. Mas existe alguma barreira quando o assunto é morte?
É claro que não estou aqui medindo sofrimento, ou dizendo que a dor é igual pra todo mundo. Longe disso. Mas não sei, todas as vezes que recebi uma notícia de perda, tivesse a distância que fosse, me perdi um pouquinho também.
O meu primeiro encontro com a morte foi quando eu tinha acabado de fazer dezoito anos. Tá, antes disso eu perdi animais de estimação, perdi a minha avó materna - mas eu era pequena, e ainda não tinha consciência do que era a dor da ausência. Não senti nada, não de verdade, não entendia o por que de estar chorando.
Tinham passado cinco dias do meu aniversário, era setembro, quase primavera. E foi então que eu perdi meu avô. Renato, o nome dele. Ele, prestes a completar oitenta anos, já estava internado com algumas complicações, e a última vez que eu o vi, ainda vivo, ele não me viu de volta. Tenho a cena gravada na memória, como se tivesse acontecido há poucos minutos. Aquela redoma azul claro, aquele cheiro de medo e uma saudade que começava a corroer o peito, e que eu sabia que ficaria ali por muito tempo, crescendo.
Acho que a gente sempre sabe quando vai perder alguém. Aquele alguém de todo dia, que faz parte da gente. Eu sabia. Eu sentia que, logo, ele não estaria mais por perto. E aquele dia chegara.
Em toda aquela cerimônia patética que se faz, onde você fica esperando as pessoas chegarem, lamentarem e falar "sinto muito" da boca pra fora, eu só conseguia sentir raiva. Você vai dizer "claro, normal.. você estava passando por um momento de luto, não estava aceitando a realidade". E pior, que nem foi isso.
Me deixou indignada e inquieta toda aquela gente chegando, conforme o sol ia se recolhendo, e dizendo "sinto muito"; "ele está descansando agora"; "vai ficar tudo bem".
Let me break it to you, nunca fica. Não essa dor, não a ausência. A gente cresce ouvindo que o tempo cura tudo. Mentira, o tempo não é remédio nenhum. O que acontece é que com o tempo, você muda o foco, e a atenção que antes você dava pro problema, se dissipa, mas ele não deixa de existir.
E foi o que eu fiz. É o que todo mundo faz. Você se acostuma a viver com aquele rombo no peito, com aquela insegurança constante, com aquele frio na barriga que faz congelar os olhos e escorrer as lágrimas. Você se acostuma, mas não cura nada.
Sempre que ela espreita, que você sabe que ela chegou pra alguém, você perde. São os anos passando e você seguindo, nessa grande ignorância que é a vida, sem sequer entender por que.
Por que tirar pessoas amadas, gerar sofrimento, e presentear com esse sequestro relâmpago as pessoas de nós? Tenho meu lado espírita, mas vá lá, a carne aqui também sangra.
Vivemos porque não temos escolha. Seguimos o caminho do amanhã indignados mas serenos, sofrendo um pouco a cada manhã, e rezando um pouco mais a noite. Pedimos compreensão e paciência, e nos perguntamos dia sim e dia também, qual a razão disso tudo.
E esse foi apenas o meu primeiro encontro com ela.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Palavras na madrugada
Ha muito tempo que eu não dormia às tantas da madrugada por causa de um livro. E ontem, tive a sorte de passar por isso. Um livro de crônicas delicioso, da minha mais nova descoberta: Martha Medeiros, "Montanha Russa".
Terminei em menos de vinte e quatro horas. São tantos assuntos divertidos, verdadeiros e sinceros, que você passeia por cada situação que ela conta, como se estivesse presenciado tudo aquilo ao seu lado. São tantas opiniões, tanta cultura, tanto humor, que a cada página que você vira, você se sente mais leve, com um sorriso no canto da boca.
Tem leitura melhor que essa? Aquela que te conquista, e que faz você brigar com o relógio, querendo que ele pare só um pouquinho, só mais uma página, só mais um capítulo... E quando você se dá conta, acabou.
Não sei você, mas eu sempre sofro um pouco quando chego na última página. Tá, nem sempre. Olha eu sendo extremista de novo. É sempre quando me envolvo, quando me apaixono, e quando crio um laço afetivo invisível com cada letrinha impressa que me olha. Sou dessas pessoas que tem ciúme de livros, sim. Fazer o quê! Muitas vezes as histórias valem mais do que pessoas.
Ultimamente, ando sedenta por leitura. Aprecio livros - praticamente todos! - desde pequena, graças ao meu avô. Vovô costumava me levar a livrarias enormes e perdíamos horas do dia ali, em meio a tanta imaginação, tantos personagens, e sempre saíamos com uma sacola recheada. Até hoje quando entro em uma dessas livrarias, lembro dele falando "Você pode economizar com tudo, menos com os livros. Eles merecem." E ele estava certíssimo. Hoje, com uma lua de mel parcelada no cartão de crédito e o condomínio pra vencer, continuo agradecendo pelo cheque especial - oba! posso levar mais um pra casa.
Leitura se aprende. Leitura ensina. E não tem sensação melhor do que encontrar uma história que te encanta, e para a qual você pode se doar. Como qualquer relação, a última página vai te fazer sofrer um pouquinho. Mas nada comparado ao prazer que dá, ter aquelas horas perdidas em um mundo novo, anestesiada e distante, conhecendo a partir do epílogo um novo abismo, que você nunca sabe pra onde vai te levar.
Terminei em menos de vinte e quatro horas. São tantos assuntos divertidos, verdadeiros e sinceros, que você passeia por cada situação que ela conta, como se estivesse presenciado tudo aquilo ao seu lado. São tantas opiniões, tanta cultura, tanto humor, que a cada página que você vira, você se sente mais leve, com um sorriso no canto da boca.
Tem leitura melhor que essa? Aquela que te conquista, e que faz você brigar com o relógio, querendo que ele pare só um pouquinho, só mais uma página, só mais um capítulo... E quando você se dá conta, acabou.
Não sei você, mas eu sempre sofro um pouco quando chego na última página. Tá, nem sempre. Olha eu sendo extremista de novo. É sempre quando me envolvo, quando me apaixono, e quando crio um laço afetivo invisível com cada letrinha impressa que me olha. Sou dessas pessoas que tem ciúme de livros, sim. Fazer o quê! Muitas vezes as histórias valem mais do que pessoas.
Ultimamente, ando sedenta por leitura. Aprecio livros - praticamente todos! - desde pequena, graças ao meu avô. Vovô costumava me levar a livrarias enormes e perdíamos horas do dia ali, em meio a tanta imaginação, tantos personagens, e sempre saíamos com uma sacola recheada. Até hoje quando entro em uma dessas livrarias, lembro dele falando "Você pode economizar com tudo, menos com os livros. Eles merecem." E ele estava certíssimo. Hoje, com uma lua de mel parcelada no cartão de crédito e o condomínio pra vencer, continuo agradecendo pelo cheque especial - oba! posso levar mais um pra casa.
Leitura se aprende. Leitura ensina. E não tem sensação melhor do que encontrar uma história que te encanta, e para a qual você pode se doar. Como qualquer relação, a última página vai te fazer sofrer um pouquinho. Mas nada comparado ao prazer que dá, ter aquelas horas perdidas em um mundo novo, anestesiada e distante, conhecendo a partir do epílogo um novo abismo, que você nunca sabe pra onde vai te levar.
Cara a tapa
Não sei se existe melhor hora para escrever do que quando estamos completamente engasgadas com alguma coisa. Pode ser uma indignação, uma tristeza, uma raiva, um amor. Mas parece que nesse momento em que você está com o sapo na garganta, pensando se engole ou se cospe pra fora, tudo consegue soar mais sincero, radical e verdadeiro.
Um dos meus defeitos - digo defeito porque é um defeito 90% das vezes - é ser extremista. Tento controlar esse sentimento constantemente. Tento, mas raramente consigo. Pronto, fui extremista de novo.
Quando o sol brilha ele brilha e ofusca tudo a sua volta. Mas quando chove, bate aquela deprê, a beleza da poesia em conta gotas, escorrendo pelo vidro da janela.
Quer saber, é péssimo ser assim. É uma vida em constante looping (eba! adoro montanha russa!), mas quando chega a hora da queda, o frio na barriga também é imenso. Insegurança.
Sentir a vida à flor da pele tem seu valor, e as belezas - essas sim - devem ser valorizadas ao extremo.
Os problemas, as preocupações, e tudo mais de pesado que possa aparecer, devem ser contrapostos com toda essa poesia ofuscante do sol, e não ser encarada como uma enchente a cada gota que pingar na nossa testa.
E saber, a gente sempre sabe. Mesmo que não dê a cara a tapa, ou que não assuma verbalmente. A gente sabe quando exagera, quando tem um defeito, e mais - sabe exatamente onde temos que mudar.
Calma aí, não me entenda mal! Ninguém disse pra gente que seria fácil. E nunca é. Mas, ainda tenho pra mim que ter consciência das coisas, já é meio caminho andado. Porque querer mudar uma coisa que nem sequer sabemos de onde vem, aí, sim, é uma tempestade sem fim.
Um fator que ajuda é a humildade. Precisamos saber enfrentar o problema, e muitas vezes, assumir! Caio uma vez disse: "supere isso, e se não conseguir superar, supere o vício de falar a respeito"!
Tá aí, mais meio caminho andado.
Precisamos assumir que não somos perfeitos (seja lá o que for essa perfeição), e que de longe, a realidade não é a mesma pra todos. E de novo, precisamos superar isso sozinhos, agindo, e parar de encher os ouvidos (as vezes nossos próprios) reclamando sobre isso. Porque ninguém merece autopiedade.
Um dos meus defeitos - digo defeito porque é um defeito 90% das vezes - é ser extremista. Tento controlar esse sentimento constantemente. Tento, mas raramente consigo. Pronto, fui extremista de novo.
Quando o sol brilha ele brilha e ofusca tudo a sua volta. Mas quando chove, bate aquela deprê, a beleza da poesia em conta gotas, escorrendo pelo vidro da janela.
Quer saber, é péssimo ser assim. É uma vida em constante looping (eba! adoro montanha russa!), mas quando chega a hora da queda, o frio na barriga também é imenso. Insegurança.
Sentir a vida à flor da pele tem seu valor, e as belezas - essas sim - devem ser valorizadas ao extremo.
Os problemas, as preocupações, e tudo mais de pesado que possa aparecer, devem ser contrapostos com toda essa poesia ofuscante do sol, e não ser encarada como uma enchente a cada gota que pingar na nossa testa.
E saber, a gente sempre sabe. Mesmo que não dê a cara a tapa, ou que não assuma verbalmente. A gente sabe quando exagera, quando tem um defeito, e mais - sabe exatamente onde temos que mudar.
Calma aí, não me entenda mal! Ninguém disse pra gente que seria fácil. E nunca é. Mas, ainda tenho pra mim que ter consciência das coisas, já é meio caminho andado. Porque querer mudar uma coisa que nem sequer sabemos de onde vem, aí, sim, é uma tempestade sem fim.
Um fator que ajuda é a humildade. Precisamos saber enfrentar o problema, e muitas vezes, assumir! Caio uma vez disse: "supere isso, e se não conseguir superar, supere o vício de falar a respeito"!
Tá aí, mais meio caminho andado.
Precisamos assumir que não somos perfeitos (seja lá o que for essa perfeição), e que de longe, a realidade não é a mesma pra todos. E de novo, precisamos superar isso sozinhos, agindo, e parar de encher os ouvidos (as vezes nossos próprios) reclamando sobre isso. Porque ninguém merece autopiedade.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Pra você, minha número 1
Mais uma vez venho escrever da forma torta que sei à minha leitora favorita. Você disse que estava sentindo falta de ter o que ler, e por ser minha número um, não posso deixar nenhuma saudade tomar conta de você. Já te escrevi tantas vezes, e sigo fazendo, porque sei que isso alimenta nós duas, de certa forma. Mesmo que seja repetindo algumas palavras, não me canso de dividir com você meus pensamentos e meu amor. E olha, que já temos um tempo razoável no passado de nosso calendário. Tempo esse, que me trouxe a presença e a segurança de uma vida inteira, e a certeza renovada, a cada manhã, de que trilhamos um caminho sem volta. Te quero de um jeito novo todo dia. Seu sorriso é minha maior e melhor fuga de todo o restante do mundo, e nada mais importa quando te abraço e sinto aquele cheiro que só você tem. Cheiro de pescoço, de carinho, de corpo. Em toda tempestade que enfrento, minha paz é você. Aprendi a viver ao invés de apenas sobreviver, porque você soube fazer disso uma tarefa tão fácil. Se as vezes sinto tanto medo, é só medo de te perder, porque você agora, é o que as pessoas costumam dizer em resumos breves: tudo. Declaro nosso amor o melhor e maior do mundo, porque ele é, todos os dias. Quando a gente briga, você faz cara feia, eu grito. A gente faz passar e eu te amo mais. Lembra Cazuza? E nem sei se consigo mesmo te odiar por um segundo. É tão forte, que qualquer explicação é irrelevante pra mensurar. Mas o universo e as estrelas estão aí pra tentar nos ajudar. Desejo você - inteira - desde que bati os olhos em você pela primeira vez. É cliché, é repetitivo, é comédia romântica. Mas nem por isso deixa de ser verdade. O que me impressiona em você, e que talvez isso eu nunca tenha te contado de verdade, é o quanto você me conhece. Você sabe meu jeito de dormir, de acordar, sabe quando eu não gostei e até mesmo o por que. Sabe dos meus ciúmes bobos e inseguranças, sabe do meu mau humor, sabe dos meus medos. E pra melhorar, tem um jeito único, só seu, de conseguir me dobrar em tudo isso. A expressão "você me tem nas mãos" parece descrever bem. E isso é só a prova de como eu me entreguei a você, e de como, dia após dia, somos mais "nós" do que "eus". E é tudo que eu quero ser. Quero ser sua felicidade, seu porto seguro, sua novidade, sua melhor noite, seu passado, presente e futuro. Vou te amar pelas próximas vidas, garota. E espero que você me ame de volta.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Terapia de Espelho
Estalo os dedos, com calma. Respirando devagar, tiro o cigarro do bolso, coloco na boca e acendo. Na primeira tragada, penso a respeito do que está prestes a ser dito. A sessão deve começar.
- Durante a semana, percebi que ando completamente vulnerável. Isso me irritou um pouco. Como você sabe, sou uma pessoa que tem sede de controle, e quando ele parece não estar por perto, fico desestabilizada. Não ter controle de mim, significa, em poucas palavras, não ter controle de nada. Me sinto insegura constantemente, com medo. "De que?", você vai perguntar. E a verdade é que ainda não consegui responder isso, nem mesmo pra mim. Todas as noites, quando coloco a cabeça quieta no travesseiro, meus pensamentos desandam e disparam, confabulando inúmeras teorias sobre o "por que" de tal situação em que me encontro. É tanta coisa, separada, ao mesmo tempo. É o trabalho, a família, os traumas de infância, o amor, o relacionamento, o ciúme, os sonhos. Dá vontade de desistir, parar. E o que mais me preocupa, é que não tenho esse histórico. Digo, que me vejo sendo assim, ou melhor, me tornando uma pessoa árida, não faz muito tempo, porque sempre fui uma criança muito saudável e feliz, assim como adolescente também. É bem verdade que esquecemos as dores, fingimos superação, para de tal forma, estarmos preparados para o que tiver que vir em seguida. Mas, se não lembro, não acredito mesmo que meu inconsciente guarde tamanha mágoa sozinho. Sendo assim, consegui concluir o primeiro passo da minha teoria, onde alego e parto da hipótese de que, o tempo me fez assim, e as situações duras da vida - digo aqui sem vitmização, apenas constatando fatos - contribuíram para que eu criasse essa carapaça contra a vida, e acho que foi aqui que comecei a endurecer. "Aqui onde?", você vai retrucar. Aqui, onde comecei a me perder, e por conta disso, não consigo estipular data ou hora precisa pro ocorrido. Mas posso tentar um palpite, e ele fica em torno de uns 3 ou 4 anos atrás. Foi então, que comecei a ter conhecimento do que era sentir preguiça da vida, como um todo, e buscar escapatória de nosso querido e perturbador cotidiano, que tanto me entediava. Ficamos reféns da vida às vezes antes mesmo de percebê-la, e talvez eu fosse apenas uma adolescente rebelde e sem causas justas para tamanha preguiça, talvez. Mas o que eu sentia, dizia ser um pouco maior que isso. O tempo, já ouvi falar tanto dele, sempre age e reage, e graças a isso, vamos levando nosso barquinho, às vezes até mesmo contra a correnteza, remamos. Eu remei. Remo, até hoje. Não quero me entregar e aceitar, ser dura, ranzinza, e usar a carapaça que a vida me deu contra ela mesma. Escudos são bem vindos, pois nos protegem. Mas sem perceber, montamos um exército e uma muralha de pedras secas, empilhadas, e ao invés de escudos temos uma barricada, que nada nos serve de proteção. A barricada me afasta do que mais preciso ter contato, que é a vida, em si. Simples, em sua maior e melhor forma. Tudo, além dela, nos parece amedrontar. Uma bolha que afaste tudo e todos, e nos deixe quietos e calmos, sem maiores problemas ou preocupações. Um ideal recheado de inércia, um nada cheio de ausências. Nos entregamos, aos poucos. E por isso tô aqui. Porque não quero me entregar. E além de não querer, quero sim, derrubar e desconstruir essa barricada que me afasta e me aprisiona em mim mesma. Não quero ter medo de nada ou ninguém, sempre confiei muito em mim. Tenho personalidade forte, e transpareço como água viva, simples e clara. Não quero suar frio, não quero pesadelos, não quero pensamentos desmedidos em forma de lágrimas. Pra isso tudo é preciso controle, auto-controle. Como já dizia Caio, você sabe, "o caminho é in, e não off". Preciso colocar isso em prática todo dia, toda hora. Lembrar a mim mesma que não tenho nada a temer, nem por que. Preciso olhar em volta, agradecer. Ter calma, paciência, reaprender a viver. Encontrar, no fundo, o que se deixou perder. A graça de acordar todo dia, abrir a janela, ouvir uma música e se sentir bem, leve, apenas pelo "ser". Nem sei há quanto tempo isso não me acontece. Por isso resolvi vir aqui. Eu preciso muito desabafar, cuspir, desmontar todo esse quebra cabeça insano que deixei crescer dentro de mim, criando raízes podres que me sufocam todos os dias. Quero voltar a mim e ser eu, pelo simples fato de ser. Sem medo, desconfiança ou qualquer coisa que contemple a insegurança. Eu quero a liberdade. Liberdade de mim.
- Durante a semana, percebi que ando completamente vulnerável. Isso me irritou um pouco. Como você sabe, sou uma pessoa que tem sede de controle, e quando ele parece não estar por perto, fico desestabilizada. Não ter controle de mim, significa, em poucas palavras, não ter controle de nada. Me sinto insegura constantemente, com medo. "De que?", você vai perguntar. E a verdade é que ainda não consegui responder isso, nem mesmo pra mim. Todas as noites, quando coloco a cabeça quieta no travesseiro, meus pensamentos desandam e disparam, confabulando inúmeras teorias sobre o "por que" de tal situação em que me encontro. É tanta coisa, separada, ao mesmo tempo. É o trabalho, a família, os traumas de infância, o amor, o relacionamento, o ciúme, os sonhos. Dá vontade de desistir, parar. E o que mais me preocupa, é que não tenho esse histórico. Digo, que me vejo sendo assim, ou melhor, me tornando uma pessoa árida, não faz muito tempo, porque sempre fui uma criança muito saudável e feliz, assim como adolescente também. É bem verdade que esquecemos as dores, fingimos superação, para de tal forma, estarmos preparados para o que tiver que vir em seguida. Mas, se não lembro, não acredito mesmo que meu inconsciente guarde tamanha mágoa sozinho. Sendo assim, consegui concluir o primeiro passo da minha teoria, onde alego e parto da hipótese de que, o tempo me fez assim, e as situações duras da vida - digo aqui sem vitmização, apenas constatando fatos - contribuíram para que eu criasse essa carapaça contra a vida, e acho que foi aqui que comecei a endurecer. "Aqui onde?", você vai retrucar. Aqui, onde comecei a me perder, e por conta disso, não consigo estipular data ou hora precisa pro ocorrido. Mas posso tentar um palpite, e ele fica em torno de uns 3 ou 4 anos atrás. Foi então, que comecei a ter conhecimento do que era sentir preguiça da vida, como um todo, e buscar escapatória de nosso querido e perturbador cotidiano, que tanto me entediava. Ficamos reféns da vida às vezes antes mesmo de percebê-la, e talvez eu fosse apenas uma adolescente rebelde e sem causas justas para tamanha preguiça, talvez. Mas o que eu sentia, dizia ser um pouco maior que isso. O tempo, já ouvi falar tanto dele, sempre age e reage, e graças a isso, vamos levando nosso barquinho, às vezes até mesmo contra a correnteza, remamos. Eu remei. Remo, até hoje. Não quero me entregar e aceitar, ser dura, ranzinza, e usar a carapaça que a vida me deu contra ela mesma. Escudos são bem vindos, pois nos protegem. Mas sem perceber, montamos um exército e uma muralha de pedras secas, empilhadas, e ao invés de escudos temos uma barricada, que nada nos serve de proteção. A barricada me afasta do que mais preciso ter contato, que é a vida, em si. Simples, em sua maior e melhor forma. Tudo, além dela, nos parece amedrontar. Uma bolha que afaste tudo e todos, e nos deixe quietos e calmos, sem maiores problemas ou preocupações. Um ideal recheado de inércia, um nada cheio de ausências. Nos entregamos, aos poucos. E por isso tô aqui. Porque não quero me entregar. E além de não querer, quero sim, derrubar e desconstruir essa barricada que me afasta e me aprisiona em mim mesma. Não quero ter medo de nada ou ninguém, sempre confiei muito em mim. Tenho personalidade forte, e transpareço como água viva, simples e clara. Não quero suar frio, não quero pesadelos, não quero pensamentos desmedidos em forma de lágrimas. Pra isso tudo é preciso controle, auto-controle. Como já dizia Caio, você sabe, "o caminho é in, e não off". Preciso colocar isso em prática todo dia, toda hora. Lembrar a mim mesma que não tenho nada a temer, nem por que. Preciso olhar em volta, agradecer. Ter calma, paciência, reaprender a viver. Encontrar, no fundo, o que se deixou perder. A graça de acordar todo dia, abrir a janela, ouvir uma música e se sentir bem, leve, apenas pelo "ser". Nem sei há quanto tempo isso não me acontece. Por isso resolvi vir aqui. Eu preciso muito desabafar, cuspir, desmontar todo esse quebra cabeça insano que deixei crescer dentro de mim, criando raízes podres que me sufocam todos os dias. Quero voltar a mim e ser eu, pelo simples fato de ser. Sem medo, desconfiança ou qualquer coisa que contemple a insegurança. Eu quero a liberdade. Liberdade de mim.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
'Sentir sede, faz parte. E atormenta.'
A primavera chegou trazendo chuva e reflexões. Nada de flores, céu azul ou jardim enfeitado. É uma primavera que começa sendo arisca e dura, exigindo batalhas diárias e travando lutas pessoais - contra mim mesma, é o que quero dizer.
Ir contra si próprio pode parecer fácil, uma vez que não tem mais ninguém ao seu lado - mas engana-se quem pensa assim - uma batalha contra o espelho pode ser mais difícil do que todo um exército na direção oposta.
Já olhou pela janela? Quantos reflexos você encontra?
Dentro de um, se multiplicam outros, e quando tento me encontrar, esqueço.
A chuva que cai traz piedade. Mas não sinto, penso.
Vida constante que se resume em repetições. Amanhã, outra vez, e depois, novamente.
Qualquer coisa que possa submeter uma repentina quebra de paradigmas, pra
fazer nascer uma novidade, porque nada é suficiente quando se espera flores.
Enquanto parágrafos se repetem, o ontem pausa com vírgulas, mas nunca com ponto final.
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